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25 maio, 2005

Vou ficar melhor


foto de RichardNowitz

Quando me passar a irritação vou ficar melhor. Ando às turras com as pessoas, perco a paciência sem querer, sem conseguir perceber em que ponto me dói mais. Sem cores agora, sinto-me pronta para atravessar a noite. Com tudo o que gosto, em mim, ao meu lado, comigo. Com tudo o que amo com este coração, que não é muito calmo. Mas que é sem dúvida maior que eu toda. E por isso talvez saia pelos poros da pele a fazer tum tum. E baixo-lhe o volume, prometo. Tenho só que acertar-me com o fuso horário da importâcia das coisas em vez de andar com hora de inverno.
Eu fico melhor.
É isso de Kierkegaard... Talvez precise mais de viver e não tanto de entender. Provavelmente ando a olhar demais para trás.

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Dói-te o cansaço...
Olha,fica lá com isto. Lembrei-me dele quando te li. É escrito por um gajo que por sinal até foi Nobel e keu tb leio.. Ah pois! :)
"Queria ser capaz de dizer tudo com mais calma. Ou tudo a correr. Despejar o peso cá de dentro e sacudir as farpas dos mal entendidos. Queria sossegar-me e moderar a minha prepotência ocasional. Segurar a minha inconveniência involuntária. Queria saber pedir desculpa e dizer obrigada.
Queria domar as cardas que tenho nas botas e que passam por cima dos centros nevrálgicos daqueles que eu gosto. Queria que eles me perdoassem aquilo que não sei dizer. Aquela língua que não sei falar.
Queria suspirar menos e agir mais. Desatar os nós das minhas aflições e alinhá-las todas pela estrada fora para conseguir resolvê-las com ordem.
Queria dar mais. De mim e do resto. Queria aprender a fazer esforços. A contrariar-me. A saborear as espinhas do peixe e os ossos da carne. Queria tanto de tão pouco."
(Albert Camus)

3:28 a.m.  

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