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10 dezembro, 2005

Força da natureza




"Como olha no seu trabalho a mulher e o homem? (pergunta feita a Pina Bausch numa entrevista).
Bausch: É uma pergunta difícil. Pode ter muitas respostas.
Na companhia há muitos homens e mulheres, e cada um deles tem relações diferentes com os outros, mas não enquanto homem ou mulher: é no trabalho, graças à maneira como o fazemos juntos, que essas relações surgem; cada um introduz nisso qualquer coisa de próprio; não se trata de qualquer coisa de privado, mas de qualquer coisa de pessoal. Quando preparamos um espectáculo, trabalhamos a partir de várias perguntas. Procuro um caminho que possa permitir-nos alcançar, atingir o que queremos fazer, e eu faço perguntas. Às vezes estou diante de um certo tipo de mulher ou de homem; às vezes de outro. Acontece que, quando pergunto alguma coisa de "hard", enfim, quando faço alguma pergunta embaraçosa, verifico que a tendência dos homens vai no sentido de a contornarem (é, de certo modo, uma maneira de responder), enquanto as mulheres, pelo seu lado, a enfrentam sem hesitação."


Posso ser uma antena que capta o que de facto dói ainda mais do que o sangue da ferida. Por vezes lembro-me que sei ser mais crente, mas há algo na natureza que é tambem o que fáz com que se lhe chame a força...
Eu digo por isso, a força da natureza pode ser a frase que escolho, para falar do que teimo... E depois têm que entender de facto qual a força da minha, pode não ser real, pode ser atribuída, mas cabe depois sempre aos outros entender essa força, dar-lhe um numero, transformá-la em quantidade, em significado.
Em tal força discuto ou luto, em tal força teimo e estou enganada, em tal força não sou capáz de ver sem ser pelos meus olhos turvos de parcialidade... Mas em tal força está a natureza que é a minha.
E eu escolho falar de amor, com a voz que tenho.
Ou falar de amor, com a voz que sei.
(foto - Pina Bausch)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Sempre a velha questão da diferença entre homens e mulheres...
Seremos coisas opostas, daremos respostas diferentes, mas não é impossível podermos fazer parte da mesma companhia e "dançar-mos" juntos não? :)
Quanto a resto...Sim, conheço essa "força da natureza"... guerreira, dogmática e indisputável que, se te tanto te faz doer, também por vezes me fazes doer... e já agora, se me cabe também senti-la ou quantifica-la, diria que sim, é imensa! Todavia, o estares dotada de tanta "força", e no que se refere á razão, isso não garante que a tenhas sempre. É óbvio que somos razão, tens a tua e todos temos uma... resulta, como bem dizes, no acumular de crenças e vivências anteriores de cada um, mas acho que nem sempre a usamos bem confrontados com as crenças e vivências dos outros, se calhar porque ás vezes também não somos só racionais, daí não caber totalmente aos outros a responsabilidade de nos entender. Assim, não menos importante será também fazeres uso de uma certa dose de tolerância quando confrontada assim com gajos como eu :)

E agora, se me permites, vou dar uma ajudinha aí á helena para a ajudar na solução do enigma :)
É assim: imagina um daqueles cubos mágicos onde tens colado um bocadinho seu em cada uma das pequenas faces dos cubos mais pequeninos... agora é só começares a dar-lhe voltas e mais voltas e com sorte irás ver inteira a "senhora dona dessa beleza tão peculiar"! Tentador não? :)

7:09 p.m.  

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