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20 maio, 2007

Para uma ave de rapina



Não é o orgulho com que falo que é mau, ou serei cega por ver no que digo, a dose que deve existir de humildade.

Tremendamente injusto, dizerem-me que gosto pouco de mim e depois chamarem-me altiva, arrogante, empertigada...

O discurso, ou a força e emoção do que se discursa?

O que se perdeu do que eu disse e que nunca mais se encontra,
porque secalhar só se conseguiu ver lá outra coisa qualquer absurda.



"Convéns-me, pois nem sequer te tomo a sério,
e não ficas cega pela palha que rodopia ao ser trazida de uma meda pelos ventos.
Sabes pensar e o que pensas dizes
com muito do orgulho e fria firmeza de Sansão,
e ninguém ousa deter-te.
O orgulho assenta-te bem,
tão empertigada, ave colossal.
Nenhuma capoeira te faz parecer absurda;
as tuas garras atrevidas são fortes, contra a derrota."

Marianne Moore

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Ora aí está um bicho do qual não tenho experiência, apenas testemunhos e observação, via National Geografic...
Estou contente que o apetite te tenha voltado... devorei cada frase, até à última linha, sem respirar...com prazer!
Escreves bem.
É-te tão fácil escrever, argumentar...Pareces escrever com sentimentos de sonho e pensamento mágico... Dificil é para mim conjugar essas coisas tão complexas com os meus reflexos... Encalhamos. Radicalmente. E é frequentemente destrutivo.
Creio que quando me exprimo (e não só), sou tb um bocado como a ave de rapina "o que pensa diz", mas eu não voo, é pensamento nivel 0, terreno, "felino", e essa deve ser a carateristica que define a qualidade do mesmo ou seja, a "mediocridade" tantas queixas provoca.
Mas gosto do prazer que me dás, sinto-me existir apenas no prazer. O que não deve certamente ser um mal.

1:41 p.m.  

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