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21 dezembro, 2007

O que interessa é a quantidade, amar mais, amar demais, amar muito... Usamos os sentimentos à dúzia, porque à duzia é mais barato

Se sinto o mesmo que tu quando acordamos numa manhã de domingo a achar que não nos apetece salvar o planeta dos lacinhos cor-de rosa e papéis azuis, é porque estamos a conversar na mesma língua e não só é fabuloso sermos homem e mulher, como é apetecível mudar de assunto e voltar a constatar que é assim. É assim que eu sou e é assim que tu és. Porque é fácil demais perdermo-nos em ruelas de opiniões que se opõem. É fácil deixar a força sair para matar o inimigo que não acha o roxo assim tão bonito, tão mais bonito que o preto.
Há gente que é feliz a chorar, sabes como é? E há logo quem ache que essa gente é triste. É um pouco como esse fenómeno da publicidade e dos que se deixam atingir por ela. Algo é imediato, algo é tão imediato que parece nunca poder ser o oposto.
É preferivel quando nos deixamos tocar por uma razão que é só nossa. Deixamo-nos tocar, não é por isto nem por aquilo e não dizemos a ninguêm porque é.
Os sentimentos são algo a que damos importância, que vivem conosco e vivem de nós, esgotam-nos se quisermos, ou adormecem-nos. Gostamos de acreditar que são verdadeiros os das pessoas que nos rodeiam, mas não sabemos muito bem, porque não sabemos o que é ser verdadeiro. Achamos que a quantidade é que é importante, usamos o "muito" quando queremos muito, quando amamos muito, mas não sabemos nada sobre a verdade. Secalhar amar assim, muito, é uma opinião como qualquer outra. Até que venha alguem convencer-nos do contrário, como um anúncio. A verdade não é a quantidade, ou é? E se é para ti... (Eu espero que não...)

1 Comments:

Anonymous Anónimo said...

"O que interessa é a quantidade, amar mais, amar demais, amar muito... Usamos os sentimentos à dúzia, porque à duzia é mais barato"
:)
O amor na "grande superficie"...lol

E sim...Temo que na sociedade de consumo, amar não se trate mais de amar o que se gosta, mas amar melhor que os outros. Na verdade parece que o nosso objectivo não é bem o amor, mas o nosso amor. Isso significa amares a gaja/o padronizada/o, e de preferência que daí tires vantagem... É tambem a perversidade da competicão aplicada ao "amor"... e há tambem aqueles que fora da corrida o compram em saldo...rs
E os que são felizes a chorar sim...porque em qualquer prazer há dor.

Eu quero continuar a pensar que o "meu amor" está fora desses "concursos", mesmo a usar "quantidade" nos "amo-te muito", embora saiba como tu que o efeito disto é bastante aleatório porque necessitava de "todos os parâmetros" do outro para saber qual o peso que eu, ou mesmo as minhas "palavrinhas lamechas", teem sobre ele mas isso é impossível! É assim mais fácil determinar a influência que o outro tem sobre mim...e talvez daí a necessidade de, pela fachada externa, sugerir-lhe todo o peso que representa.

Resumidamente, acho que gosto efectivamente de dizer "lamechices"... mas sei que os benefícios disto são frequentemente como os do meu café em chavenas de porcelana... a felicidade que daí retiro, parece-me, é a ausência de me interrogar porque raio gosto eu das chavenas de porcelana :)

Gostei de te ler...

2:31 p.m.  

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