Eii. Não sou perfeita. Tenho coisas boas, más e assim-assim.
O ódio selvagem e inconsciente provavelmente até nem terá esse nome.
Tenho raiva tambem. Igual à tua, maior ou menor, pouco importa, mas numa fase diferente do processo. Digamos que meto a raiva em assuntos mínimos, menores e de minorias e tu não és dos que vêem estas merdas pequeninas. Na outra fase do processo, onde tu a metes (porque eu já meti a minha) tens todas as razões e mais alguma porque o Ego não se deixa derrotar assim. Adoro o teu Ego e adoro a minha raiva.
Adoro os demónios que cada um de nós dominando ou não, culpa.
Eu sou tão rápida a sentir como a respirar.
E tu respiras com a calma vigilante e não perdoas com a calma vigilante.
Adoro a minha febre porque deliro nela sem que ela me derreta os dias ou as noites.
Adoro a tua, porque te consome sem que consigas delirar com ela.
E detesto ter que ser perfeita.
E detesto que não tenhas que ser perfeito.
Mas isso não faz a menor diferênça num cenário catastrófico.
Continuo a gostar muito de dizer que o que se quer perfeito, não és tu nem eu, mas o que nos une.
E para isso é preciso uma imaginação do c*** . Deve ser isso que eu tenho, uma das bem grandes... e à parte do gosto das culpas que me fazes ter (alguma violência de infância - que te parece uma boa razão).
Não devia escrever. Não sinto mais nada porque escrevo e nada no que escrevo. O amor ou seja que entrega for não vale mais que os últimos dias da estação que desperdiçámos. Sinto-me bem nas lágrimas. Tudo o que pode haver de mais profundo e doce existe nas lágrimas. Dou-me como se voltasse à ingenuidade de uma idade sem idade. Treze, quinze... O tempo em que uma mulher se dá sem mágoa. A vida tem destas coisas. De facto a vida são só estas coisas. Despeço-me de ti como se pudesse voltar um dia e o meu passado magoado esclarece-me a noção do que é voltar um dia, do que foi voltar um dia. Acredito que qualquer vida sem isto não valha a pena. Tive treze, tive quinze e tive tanta febre de amar como de viver. O tempo esgota-nos as capacidades. Se formos mesmo fortes não somos capazes de acreditar. O meu controlo pássa por ter tudo muito bem definido dentro de mim, muito bem percebido, a minha entrega pássa por querer explica-lo muito bem a outro. O meu amor é a luta que ponho nas palavras e a minha paixão é o grito que dou enquanto luto. Nada dentro de mim é uma paisagem que se observa e se aprecia. Tudo o que fáz diferênça tem uma lança apontada e vivo porque é assim. Em verdade não gostava de ser diferente. Os tempos das mulheres têm qualquer coisa de fantástico e talvez seja bom tudo se resumir ao querer ser mais amada e conseguir acreditar que depois vem algo melhor ou maior. Perdi a conta às vezes em que fechei a porta com um estrondo que me ficou no cerebro por dias, a parecer que não ía passar porque não podia passar. E era só desespero. Fecho a porta devagar agora. E isto é sair dos treze. Resumo-me ao meu texto que é fácil de escrever. Ele pinga. O que eu sou cai em forma de palavra. E tem um som. E pode ter uma moral e muitas razões. Mas não é de facto preciso. Não sinto mais nada porque escrevo e nada no que escrevo.
Não devia escrever.
Nem vou!
(22-02-2008)
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