25 fevereiro, 2008
Sim, o cor de rosa era um draft. Não fazia sentido se tivesse sido de outra maneira, porque raio diría "nem escrevo" se fosse escrever (escrever é colocá-lo para ser lido) uns minutos depois?
Deste modo, o cor de rosa foi o momento entre a última vez que falámos e a penúltima que escreveste. Esta coisa vê-se assim. Começamos a explicar tudo muito bem e a descrever e a escrever e isto é o oposto do "não quero saber disso para nada". Explicar ou usar muito texto é dedicar, nunca te disseram? E falar e gritar tambem pode ser. Alguns doentes mentais muito mentais usam tudo para complicar, o simples já não é simples e a complexidade transcende qualquer um.
Lembro-me duma referência num livro da Rita Ferro (imperdoavel, agora com a net não ir esclarecer qual o livro e colocar fielmente a passagem, mas não tive vontade, por isso segue como me está na cabeça) dizia eu que algures num livro uma personagem fala das mentiras de um homem com quem teve um caso no passado e foi enganada, fazendo referência ao seu sorriso, à sua calma, à sua capacidade de persuasão. Essa personagem, agora vive um caso com outro homem e não pode, por causa do passado, ignorar nem as caracteristicas que lhe ficaram da experiência que teve com homens, a capacidade de plantar ideias tão bem no cerebro feminino, nem o facto de que ao estar agora com este significa que este é melhor que o outro e por isso provavelmente só mente muito melhor. Repara, mesmo que seja só provavelmente, mesmo que até a maior parte das vezes ela não pense nisso e ele seja um anjo, a verdade é que somos o que somos e agimos porque mentalmente complicamos ou simplificamos as coisas.
Gostava mais de ter um passado de mentiras em que acreditei como o dela, em vez de um passado...
E se isso não te explica porque é que teimosamente te acuso de coisas que dizes que não és. Pelo menos a mim explica-me que vim de um lugar e que tenho as minhas caracteristicas e as minhas fitas esvoaçantes ou os meus diagnósticos de doente mental, permanentemente em frente à cara.
E já agora faço o meu e o teu (diagnóstico). E ao estar perfeitamente no controlo da situação, não me perco, nem me afundo. É só pela minha sobrevivência. Com os muros que ergues posso bem.
Eu só os ergo a quem não quero que chegue a mim, não será isto a chave que fecha a porta sem lamentações? Quer dizer, o facto de nunca os ter erguido a ti?
Orgulhoso, burguês, troglodita... e enfim... tudo muito explicadinho... Até à rouquidão.
Sim, quis pedir-te desculpa ao Ego, naquela noite. Mas vinte minutos depois já era tarde demais para ti.
E tudo só por causa dos não fumadores.






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