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31 agosto, 2005

Vazio




Não percebi que estavas em guerra. São lixadas, mas quando são cívis é pior ainda.
Por esta altura espero que o neurónio bom já tenha derrubado o mau, mas se não...
Não perco muito, escreves deliciosamente em guerra. Gostei das tuas palavras, foram quentes, num dia meio vazio para mim.

"Doubt thou the stars are fire;
Doubt that the sun doth move;
Doubt truth to be a liar;
But never doubt I love."(Hamlet)

(Foto - Sarah Polley em "My Life Without Me")

27 agosto, 2005

Tambem num desenho




Tiras-me a fotografia, não uma fotografia daquelas que me mostra de verde e onde fico com este sorriso indiscreto ou com o lápis do lábio já sumido.
Tiras-me a fotografia que mostra a minha vontade de ficar ali igual ao que sou, como se na minha testa ou no meu nariz se pudesse ver a segurânça que sinto no teu colo.
Não pode ser à alma porque já não temos nada em que tu não acreditas profundamente.

(desenho de Ana Baldassarre)

25 agosto, 2005

Virtual




Um passeio pelos blogs.
E não encontrei a despreocupação sobre o que se escreve como se aquilo fosse escrito para ninguêm ler. Desabafos, sem vaidade.
Alguns são um trabalho exaustivo de construção, secalhar sobre um personagem que não existe (pelo menos não daquela forma). Estes, os das mulheres que escolhem o tema do sexo, onde realmente dominam o mundo virtual, estão cheios de cósmetica, típico recurso das femeas. Acho muito bem, mas fiquei com fome da verdade, sabe-se lá porquê.
Estas luzinhas a apagar e a acender, a captar a atenção alheia via net. A responder ou a preocupar-se com comentários como se manchassem a reputação e no entanto a deixar em cada linha do post que não se preocupam com a reputação porque são elas proprias que se denominam de putas.
É complicado este ser virtual. Eu bucejei, podia ter-me masturbado, provavelmente teria ficado menos amarga. Mas só olhei, é aqui que retiro as coerências das tais almas que como a Lili G me parecem desmascaradas e elas sim positivas, sem preocupação. Os portugueses não têm muito disso. Existe ali um clima estranho que só me faz reparar na vaidade. As brasileiras... naturalmente fazem a festa, tambem já a fazem na vida real.
Eu sinto-me a transpirar, deixo-me cair neste mundo das fotos do menino despenteado, só meu. Capáz de me devolver sorrisos que pareciam tão escondidos.
A ilusão é tão importante como a magnifica manhã que vai estar por aqui, quando eu abrir os olhos.

23 agosto, 2005

Presentes



A concha era o diamante. Assim que a vi enorme no fundo do mar tive o desejo grande de a apanhar para ti. Podia ser para mim se não tivesse pensado em ti... Podia ser só para a ter na mão para a ver melhor. Brilhava tanto e talvez por ter todos aqueles bicos, a noção que me dava é que era uma pequena grande pedra preciosa. Já valia na minha mente, pelo sol que era ali na areia... E eu, como bom peixe, ía descendo, capáz de morrer por ela. Todos nos viramos para a luz, é assim não é? E aquela luz já era para ti.
Quando a trouxe para a praia, vi a verdadeira dimensão do tal sol. É como os corais, tão bonitos no fundo e à superficie apenas rochas com buracos. Mas continuei a achá-la bonita. Não era tão branca, nem tão grande, mas era uma concha de bicos que à lente da àgua foi capáz de me fazer ir mais 2 metros abaixo.
Se lá estivesse o diamante... Não sei se não iría festejar, ou se partilhava com alguem o grande fenómeno do acontecimento. Mas tambem, se lá estivesse o diamante até que ponto o guardarias como se fosse uma concha em vez de te sentires o possuidor da pedra que vale muito. Provavelmente teria para ti a utilidade que têm os diamantes e serias tu a fazer a festa e a trocá-lo por belos momentos de vida.
O que vale é o que representa aquilo que se representa com a oferta.
Quando o vi ao longe, era um diamante que te teria dado.


(Não tinha fotos de conchas nem de diamantes. Só de mar)

20 agosto, 2005

Write the word sunshine with your body




"I always try to speak about all of us, about what we feel, about our same language, about our wishes, our hope, our desires, our fears, about love, about yes, being human -- and how beautiful each person is, and how fragile each person is... And I think all these together is what I have to say." Pina Bausch

Agora já bem longe (no tempo) de fragmento, a primeira coreografia de Pina Bausch.
E com a noção da dança-teatro bastante enraízada em todos nós, já podemos apreciar, entrando num mundo total de emoção com a expressão ao rubro, onde tudo é permitido desde que grite. Não há só gestos que gritam, há lágrimas, olhares... E o que se conseguir imaginar.
Com tanta liberdade para passar a mensagem. A mensagem passa a ser o tal dos extremos que se expressa a murros e as corridas que se libertam num palco limitado são no limite a vida, a morte, o amor, o ódio e a subjugação que tanto indigna.
"And I think all these together is what I have to say". Dizer é o que importa. E dizê-lo com toda a liberdade de gestos e toda a creatividade de formas, até que se torne fácil entender mesmo quando não o é.
Não tem fim o numero de formas de expressar a dor, o amor, o ser humano. E essa é a parte mais fácil de se fazer um trabalho assim, mas Pina Baush está nessa expressão da dança-teatro com a consciência (que passa a quem a observa) de uma Sua verdade como objectivo mais importante. E a quem vê basta que se permita sentir. Gostar ou não, já são aquelas duas faces da moeda... E às vezes gostar e às vezes não, é que é tão natural...

After all, is all about being human.


16 agosto, 2005

A olhar para o blog




(...Sem que lhe fosse permitido sonhar) Foi o que escrevi. Mas sonhava e sonha e aliás, só sonha mesmo.
É até muito mais sonhadora que guerreira! Mas como espreita as noites que ainda não se puseram e vai ao fundo do mar falar com os peixes balão... E rebenta de furia com pequenas coisas de nada, guerreira tambem lhe serve bem.
Mas hoje são só umas letrinhas muito cansadas. Vieram dum mar muito frio depois de um mar muito quente. Cabo Verde tem uma àgua quente...! Que apetece de manhâ à noite!
Hoje dei por mim a mergulhar numa praia ali para o centro. Com umas correntes fresquinhas do atlântico, o corpo acusou a diferênça (é que foi mergulho nas ondas e não com fatinho e garrafa amarela). ;)
Mas estou a olhar para o blog.
Como se estivesse no fundo do mar...

02 agosto, 2005

Calma azul




Lembro-me bem desse dia. O tempo passou tão depressa...
Levamos imensas imagens no coração. Eu disse que as tuas deviam ser mais como essa dos Dreams, tu achas que essas são as que se descolam, provavelmente descolam-se mais as outras, mas...
A olhar para o azul da foto senti-me a invadir uma fase azul como se os dias fossem de serenidade mas de serenidade não evidente, como se para descansar tivesse que mastigar esta calma e estes ultimos momentos de introspecção. E mesmo assim não descansasse nada. Olho de novo para o azul da foto e reparo que é quase da cor do meu biquini. É calma... E a foto de cima foi o que me apeteceu.
Talvez deva pedir-te que não me julgues. É bonita e tambem segue a linha ténue do "ser azul", serenamente, agora talvez tenha que me desculpar pela complicada forma de estar a acalmar a mente, de estar a complicar a escrita e de me descomplicar com breves pedidos de compreensão tua.
Ah... As férias! As férias dão cabo de nós! Já não sabemos pensar poupando tempo... Escrevemos até nos marginalizarem pelo tédio... E não nos importamos muito.
(foto-Colin Firth e Meg Tilly)