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23 abril, 2006

Nóssos amores



Temos esta excelente manía de aumentar com a imaginação as histórias dos outros que achamos mais interessantes. Excelente, porque é de facto uma forma de não nos desmoralizarmos pela vida, com a vida, pelo menos naquelas alturas em que procuramos significados.
E aumentamos toda a história do passado, revemos fotos mil vezes, sublinhamos diferênças, somos capázes de os reconhecer, aos heróis, no meio de multidões de anónimos. E sem sabermos ficamos com as expressões que depois são responsáveis pelas atrações diárias, pelo toque especial, como o traço de um estranho que nos remete para a expressão que vimos tantas vezes naquele rosto que admirámos.
"Todos os sonhos têm o sonhador como centro. Os sonhos são absolutamente egoístas."
Freud, se quisermos pensar. "Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo". Freud, para pintarmos a folha branca da vida com arco-íris de justificações. "Na verdade não sou de forma alguma um homem de ciência, nem um observador, nem um experimentador, nem um pensador. Sou, por temperamento, nada mais que um conquistador - um aventureiro, em outras palavras - com toda a curiosidade, ousadia e tenacidade características desse tipo de homem." Freud, que só serve para quem se identifica. Reconhecer é um mistério maior que o amor. Seja o que for.
E estes jovens tão apaixonados por "habitantes" do passado. Tão apaixonados pelas histórias das suas vidas. E as suas vidas sempre a aumentar de interesse pelo debruçarmo-nos nelas. E eu a achar que os "conheço" como Freud, apenas por aquilo que amam. E a achar que jámais me reconhecerás, como Freud, por aquilo que eu amo.
Embora insista... Insista...
(foto - Marilyn Monroe)

04 abril, 2006

Close shot




E vejo assim que da forma como te observo sou capáz de escrever um livro inteiro de capitulos que tambem sou capáz de ir lendo.
Mas frontalmente, sinceramente... As drogas nunca são problema. As sombras que vejo desfocarem-se ou a falta de conseguir acertar no que é a realidade, como me dizes, tem talvez muito de droga minha, embora nada das outras (maravilhosas). Inclino a cabeça e tudo se foca como se manualmente a minha máquina se preparasse para um "close shot" e sim, é um tight shot o que guardo no album, é um tight shot na minha cabêça.
Que pena não poder dar a provar esta minha droga apaixonada, que me faz ver as coisas com cores tão definidas e que me prende a elas, ou me afasta... Mais do que à primeira vista.
À primeira vista não sei se me entras no coração, ou se reparo só que os teus olhos são bonitos e assim posso abrir-te o meu coração.
E agora é assim como a letra do Billy Bob à Angelina "Angelina, what's come between us,
Could it bee the magic and the mystery of love?"
Não há como saber.
Um qualquer momento no tempo o dita. E a gente segue...
(foto - Saffron Burrows)