< >

12 maio, 2006

Num par



As sucessões de pensamentos e memórias, como uma dança. Quando se dança pode nada fazer sentido ou relacionar-se. Pode ser o meu pé e o teu ombro, num par que ninguêm acha perfeito. Algo fresco no meu olhar , algo muito cansado no teu gesto. Pode ser o sono e a vontade de dormir. Há muito tempo uma cama... E um poema de agora.

"Não te esqueças de esperar por mim! Espera com toda a força.
Espera até a pedra amolecer e o Verão se tornar frio.
Espera até que as flores comecem a sorrir.
Até as crianças deixarem de crescer, a manhã não nascer e a chuva não te molhar.
Espera até que dos livros desapareçam todas as palavras e o mar se desfaça em pó
Espera por mim até os teus olhos mudarem de cor e os cabelos se enrolarem nos
dedos dos pés (...)."
(Olga Roriz e Catarina Câmara - O amor ao canto do bar vestido de negro - No Teatro camões).

(foto - Filmagens de "Valmont", Colin Firth e Meg Tily)

03 maio, 2006

Desenho



Não te digo nada. Fáço desenhos onde espelho o que as palavras não provocam mais.
Sinto, como Roberto Benigni, que o amor é o mais revolucionário dos sentimentos. O amor a tudo, as motivações...
As últimas coisas ditas não podem ser as mais importantes. Mas a memória tambem desenha e pouco consigo fazer dos meus gestos de outros meses.
Quando ela adormece, sim, volto a pintar o que existe de importante no que penso.
(foto - Natalie Press em "My Summer of Love")