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30 dezembro, 2005

Há muito tempo




Não sou capáz de imaginar o que acontecería se deixasse de acreditar que a força maior de tudo, existe na expressão da forma e não na forma em si.
Não é um mundo a preto e branco que eu vejo quando lhe limpo as cores, é um mundo com uma promessa infinita de cores que eu vejo no cinzento. E explicar porquê é uma impossibilidade.
Sabes, quando definimos o vulgar e o invulgar?
Quando se consegue perceber a diferença entre estranhamente bonito, finamente bonito e grosseiramente bonito?

(foto-Saffron Burrows)

23 dezembro, 2005

All the pain will pass



As coisas podem ser diferentes
Podem ser perfeitas.
Aposto contigo tudo o que tenho no bolso...

(foto-Minnie Driver)

18 dezembro, 2005

Eternos



Secalhar é por sabermos que não somos, que gostávamos que os nossos amores fossem...
Tambem por isso, vamos deixando coisas para ficarem para alêm de nós...
Irónico se formos nós a ficarmos para alêm delas, provavelmente, principalmente se ninguêm se lembrar de nós.

15 dezembro, 2005

A estrela marcada na pele




Isso de deixar para depois o que não se fez ali, parece-me muito mecânico, o que não quer dizer que não possa acontecer.
juro-te que se acontecer é porque começou do nada, não é porque vinha de trás uma vontade que não teve espaço para se concluir.
Mas que posso eu afirmar...? Tudo pode ser possivel. Até trazer da tarde a vontade para a noite...
A estrela já se foi embora. Esteve comigo até agora, demorou ainda, não saiu na àgua, algumas coisas não são dificeis de desaparecer por complecto, mesmo que quando olhemos para elas nos pareçam estar ali para ficar por muito tempo.
(foto - Irene Jacob)

10 dezembro, 2005

Força da natureza




"Como olha no seu trabalho a mulher e o homem? (pergunta feita a Pina Bausch numa entrevista).
Bausch: É uma pergunta difícil. Pode ter muitas respostas.
Na companhia há muitos homens e mulheres, e cada um deles tem relações diferentes com os outros, mas não enquanto homem ou mulher: é no trabalho, graças à maneira como o fazemos juntos, que essas relações surgem; cada um introduz nisso qualquer coisa de próprio; não se trata de qualquer coisa de privado, mas de qualquer coisa de pessoal. Quando preparamos um espectáculo, trabalhamos a partir de várias perguntas. Procuro um caminho que possa permitir-nos alcançar, atingir o que queremos fazer, e eu faço perguntas. Às vezes estou diante de um certo tipo de mulher ou de homem; às vezes de outro. Acontece que, quando pergunto alguma coisa de "hard", enfim, quando faço alguma pergunta embaraçosa, verifico que a tendência dos homens vai no sentido de a contornarem (é, de certo modo, uma maneira de responder), enquanto as mulheres, pelo seu lado, a enfrentam sem hesitação."


Posso ser uma antena que capta o que de facto dói ainda mais do que o sangue da ferida. Por vezes lembro-me que sei ser mais crente, mas há algo na natureza que é tambem o que fáz com que se lhe chame a força...
Eu digo por isso, a força da natureza pode ser a frase que escolho, para falar do que teimo... E depois têm que entender de facto qual a força da minha, pode não ser real, pode ser atribuída, mas cabe depois sempre aos outros entender essa força, dar-lhe um numero, transformá-la em quantidade, em significado.
Em tal força discuto ou luto, em tal força teimo e estou enganada, em tal força não sou capáz de ver sem ser pelos meus olhos turvos de parcialidade... Mas em tal força está a natureza que é a minha.
E eu escolho falar de amor, com a voz que tenho.
Ou falar de amor, com a voz que sei.
(foto - Pina Bausch)