
"Como olha no seu trabalho a mulher e o homem? (pergunta feita a Pina Bausch numa entrevista).
Bausch: É uma pergunta difícil. Pode ter muitas respostas.
Na companhia há muitos homens e mulheres, e cada um deles tem relações diferentes com os outros, mas não enquanto homem ou mulher: é no trabalho, graças à maneira como o fazemos juntos, que essas relações surgem; cada um introduz nisso qualquer coisa de próprio; não se trata de qualquer coisa de privado, mas de qualquer coisa de pessoal. Quando preparamos um espectáculo, trabalhamos a partir de várias perguntas. Procuro um caminho que possa permitir-nos alcançar, atingir o que queremos fazer, e eu faço perguntas. Às vezes estou diante de um certo tipo de mulher ou de homem; às vezes de outro. Acontece que, quando pergunto alguma coisa de "hard", enfim, quando faço alguma pergunta embaraçosa, verifico que a tendência dos homens vai no sentido de a contornarem (é, de certo modo, uma maneira de responder), enquanto as mulheres, pelo seu lado, a enfrentam sem hesitação."
Posso ser uma antena que capta o que de facto dói ainda mais do que o sangue da ferida. Por vezes lembro-me que sei ser mais crente, mas há algo na natureza que é tambem o que fáz com que se lhe chame a força...
Eu digo por isso, a força da natureza pode ser a frase que escolho, para falar do que teimo... E depois têm que entender de facto qual a força da minha, pode não ser real, pode ser atribuída, mas cabe depois sempre aos outros entender essa força, dar-lhe um numero, transformá-la em quantidade, em significado.
Em tal força discuto ou luto, em tal força teimo e estou enganada, em tal força não sou capáz de ver sem ser pelos meus olhos turvos de parcialidade... Mas em tal força está a natureza que é a minha.
E eu escolho falar de amor, com a voz que tenho.
Ou falar de amor, com a voz que sei.