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28 julho, 2005

Discutimos


Autor desconhecido

Discutimos.
Às vezes não é nada, nem mereçe o nome. Outras vezes é. E é porque nos importamos senão não fazia nenhum mal. Raramente se dá importância ao que de facto tem importância, quando se discute. Ficamos com a ultima frase do outro e tudo se muda a partir daquilo. É verdade. É mesmo verdade que não interessa já o que somos ou o que sempre fomos, se de repente conseguirmos dizer coisas terriveis que deixem o outro a "levitar" noutro planeta, sujeito a outra gravidade.
Andamos apesar de tudo sujeitos a milhares de gravidades um dia inteiro, milhares de ausências e companhias, sem contarmos com o facto de permanentemente conseguirmos surpreendermo-nos a nós próprios com a nossa dedicada paciência ou com uma total e inesperada falta dela.

23 julho, 2005

The one before the last




I dreamt I was in love again
With the One Before the Last,
And smiled to greet the pleasant pain
Of that innocent young past.
But I jumped to feel how sharp had been
The pain when it did live,
How the faded dreams of Nineteen-ten
Were Hell in Nineteen-five.
The boy's woe was as keen and clear,
The boy's love just as true,
And the One Before the Last, my dear,
Hurt quite as much as you.
(Rupert Brooke)

21 julho, 2005

Encontrar a felicidade

Irene Jacob de vermelho

"Happiness in intelligent people is the rarest thing I know." Ernest Hemingway

E ao "esbarrar" com esta leitura imediata sobre felicidade, transcrevo: Uma forma prática de ser feliz -
"Alguém nos perguntou a forma mais prática de sermos felizes. Vamos então aqui usar a filosofia pitagórica, que usava os números para entender a verdade. Descobrimos por exemplo, que a origem da inteligência está no somatório entre a memória e o raciocínio. A felicidade também pode ser encontrada de forma prática entre duas coisas, o amor e a liberdade."

19 julho, 2005

The secret garden




O jardim secreto é um lugar fantástico onde não existe tristeza nem arrependimento.

15 julho, 2005

A um herói


foto do filme "The phantom of the opera"

Eu acho-te genial.
Mas genial como se não tivesses saído agora desta cama desarrumada e a tua cara tivesse sempre aquele sorriso perfeito.
Genial como nas revistas e nas salas de cinema, quando passas por mim passando por outros que lá se arrumam contigo e te respiram.
Genial é o teu gesto e o desenho do teu olho que me ri.
Por ti, acho que pode existir tambem alguem genial mais perto de mim.

09 julho, 2005

Tempo de parar


Cartaz-Philadelphia Story

Most West End shows, including The Philadelphia Story, were cancelled due to the London bombings yesterday. Whatsonstage reports that today, performances will resume and that many will be preceded by a minute's silence as a mark of respect to the victims of yesterday's attacks.

06 julho, 2005

A beleza da Meg


Boneca

A preguíça é imensa mas já não ligo nenhuma. Fico a descansar do próprio descanso... quando descanso. Não quero saber se assim se passam ou podem passar as horas todas, fáz de conta que tenho o tal relógio sem ponteiros que faláste. Fecho os olhos e vejo crescer relva nele, até os números desaparecerem complectamente num fundo plano verde.
Gostei das fotografias. São antigas e fizeram-me imaginar momentos que a minha cabeça criou mais bonitos, do que aquilo que é a realidade dessas pessoas que gosto. E ela é naturalmente bonita. E é, porque a sua beleza é vista por quem se propõe a sentir, não é uma beleza consensual, essas belezas são as que digo que não consigo ver bonitas, penso sobre elas e fica a não sobrar nada. Aqui tambem existe o fenómeno da chiclete, mastigar e deitar fora.
Ela é um exemplo da beleza com sabor, sempre um pormenor novo a descobrir, impossivel deitar fora... E em vez disso pensa-se e pensa-se, quanto mais não seja sobre aquela interrogação do que mudaríamos ali para ficar melhor. E em cada segundo que se pensa, percebe-se que não se muda nada que se ficou a gostar de cada milimetro apesar de se ter pensado sobre ele. E isto tem mais beleza para mim do que tudo aquilo que imediatamente se vê bonito, como a boneca.

02 julho, 2005

Sonho, mar adentro


Belen Rueda e Javier Bardem - Mar adentro

Isso da realidade-sonho... É como um mergulho quando a onda vai e distraídamente nos sentimos a cair em pouca àgua, podemos ter sorte e não partir o pescoço, podemos ter sorte e partir o pescoço e morrer, ou podemos não ter sorte...
Sabemos que existem as marés e sabemos que existem os acidentes, sabemos tudo e mesmo assim caímos e tudo se muda num único segundo.
Seja que sonho for, ou porque razão o sonhamos, a liberdade é nossa para lhe darmos toda a importância que soubermos dar, ou para apenas passear por ele à noite, ou de olhos fechados imaginarmos tudo.
Morrer pode ser o maior sonho de uma vida.
Na minha, eu não me afastei de ti para sonhar. Não te perdi o rasto nem pelo relvado de Pimberley, nem pelos voos razantes que tambem faço, como o Ramon Sampedro, até ao mar.
Ainda me mexo, às vezes pouco. Fico parada com a mente a borbulhar por outros mundos ou pelo fundo do mar quando mergulho.
Mas ainda não me esqueci de ti.

"Mar adentro, mar adentro.
Y en la ingravidad del fondo
donde se cumplen los sueños,
se juntan dos voluntades para cumplir un deseo.
Un beso enciende la vida con un relámpago y un trueno,
y en una metamorfosis mi cuerpo no es ya mi cuerpo;
es como viajar al centro del universo:
el abrazo más pueril,
y el más puro de los besos,
hasta vernos reducidos en un único deseo:
tu mirada y mi mirada
como un eco repitiendo,
sin palabras:
más adentro, más adentro,
hasta el más allá del todo por la sangre y por los huesos.
Pero me despierto siempre
y siempre quiero estar muerto.
para seguir con mi boca
enredada en tus cabellos".