< >

31 maio, 2005

The Hives e o arco-íris



Há momentos únicos. Sabem a gelados de 1000 sabores numa tarde quente. às vezes são sem razão de ser. Como se nos fossem oferecidos. Prémio de qualquer coisa que não sabemos. Sentidos como isso e saboreados bem calmamente para que durem enquanto durar a nossa memória breve. The Hives e o arco-íris. E a única foto possivel.
E tambem hoje o nosso momento único, este com cores só nossas. E sem foto.
Era complecto o arco-íris do céu. E nítido, bem bonito.

26 maio, 2005

Ninguém vai a Soho meu amor


foto-RobbDebenport

Tiveste medo que "a pequena existência traquina" levasse alguêm a dar connosco no cantinho de SoHo onde decoramos pastéis de nata com pastilha. Mas ninguém vai a Soho meu amor. Um cliente ou dois por mês na nossa sex shop. O nosso Soho está para lá dos pontos turisticos a visitar, é preciso dar a volta pelo canal do vento para bater na porta. E ninguem lá vai. Tambem fico com os ruidos nos ouvidos e levo-os a passear comigo pelo Central Park que atravesso quando me despeço. Pareço não ter medo. Sei que não tenho medo. Há sempre uma lua qualquer que agarro para levar comigo e que me dá luz sem sombras. E para sonho a Soho falta apenas uma letra. A primeira de noite, de ninho de nua...
De tudo o que me apetecer guardar em mim.
E acreditar.

25 maio, 2005

Vou ficar melhor


foto de RichardNowitz

Quando me passar a irritação vou ficar melhor. Ando às turras com as pessoas, perco a paciência sem querer, sem conseguir perceber em que ponto me dói mais. Sem cores agora, sinto-me pronta para atravessar a noite. Com tudo o que gosto, em mim, ao meu lado, comigo. Com tudo o que amo com este coração, que não é muito calmo. Mas que é sem dúvida maior que eu toda. E por isso talvez saia pelos poros da pele a fazer tum tum. E baixo-lhe o volume, prometo. Tenho só que acertar-me com o fuso horário da importâcia das coisas em vez de andar com hora de inverno.
Eu fico melhor.
É isso de Kierkegaard... Talvez precise mais de viver e não tanto de entender. Provavelmente ando a olhar demais para trás.

24 maio, 2005

Tenho uma lágrima por isso




Quando discutimos não é fácil. É uma luta de clubes, um Benfica-Sporting, não posso explicar-te um pensamento, assim como não consigo que percebas a origem desses ditos clubes e a importância disso nas suas evoluções. Gráças a Deus que ligo a TV e lá está alguêm na RTP1 a falar daquilo que não consegui explicar-te. O Benfica teve origem humilde o sporting partiu das classes endinheiradas. Num certo tempo do nosso passado histórico a única alegria do povo eram as camisolas berrantes a fazer glória. Quando quase tudo era cinzento e negro o vermelho deu alegria nas colónias e alêm fronteiras foi falado como símbolo de Portugal. A origem foi humilde, o povo identificou-se. Mais que um clube a história do Benfica é uma história de orgulho. Antes, muito antes do 25 de Abril.
Não me interessa o que se defende, ou o que defende cada um, provavelmante cada um não teve tempo para gastar a ler ou saber um pouco mais de história. Tambem não me interessa o que cada um prefere e quais as camisolas que veste nem porquê. E sabes, tambem não quero saber se queimam cachecóis à frente dos filhos a quem ensinam já o que não se deve aprender. A FIFA considerou o Benfica um dos 7 clubes míticos do mundo. O Sr. Trapatoni em 40 anos de carreira nunca tinha experiênciado nada igual.
Mas cabe-te a ti tentar de longe entender o que tem a alma Benfiquista de diferente. Se em Africa se descansavam as armas quando o Benfica jogava.
Mando-te o elitismo do sporting por outra via. Mas sei que não tens capacidade para entender o que falo. Tenho uma lágrima por isso.

19 maio, 2005

Fodido


Foto-JuanCarlosRivas

O amor não é fodido. Acontece que sempre que tentamos preencher a nossa parte oca com qualquer coisa é como se nos enchessemos de ar leve e lá vamos nós pelo céu a ver o solo lá em baixo. Sem pé tudo é fodido. Ter que respirar torna-se fodido. As nuvens a baterem-nos nas ideias tristes e a nublarem as certezas.
Fodido é seres o ar leve, o meu ar leve. É que tu pesas muito mais que eu...
Agora vou pôr as asas. Sei que as tens. Disseste-me.
Então... Até já.

16 maio, 2005

Domingo


VirginiaTupper


O sol e o gin, o excesso de gargalhar, não sei. Conversas que não interessavam mas que se não fossem possiveis nesta tarde de calor e vento a transformariam numa tarde antipática e estranha. Então entre o gin e o salto do pensamento para a outra dimensão mais pura, reconfortei-me com a existência e fiz as pazes com o domingo do meio de Maio, que acabou (está a acabar), num reflexo das tuas linhas e das tuas fotos.

13 maio, 2005

Não é uma boa sensação


foto de PetterHegre

Não é uma boa sensação. Devo ter bebido todo o sumo de uma laranja amarga. Agora espero deitar-me devagar na rede e não pensar.
Está bem, sou feita dum barro estranho, dou-te razão. Um barro com poros por onde se perdem ventanías. Gostava de ter sido pintada com tons de azul e brilhos, mas por qualquer força estranha devem ter deixado isso para depois... Eu nunca deixo para depois, pinto logo que posso, tudo nos outros, verdade e sonho e receios, pinto até esgotar a tela de cores, esgotar o branco de tão complecto.
Complectas-me, mas a cor? Qual é a cor? Se quando falo ou escrevo como falo ficamos transparentes, ou nos revelamos negros e com cara de maus. Espero que não te doa, sinceramente, nem um terço do que me dói a mim. Porque não é uma boa sensação.

12 maio, 2005

Lo sublime


foto-PhilipLinke

"Lo sublime es lo que nos emociona por su magnitud y energía superior a las facultades humanas; la Naturaleza, el cosmos, la grandeza y profundidad de pensamiento..." Fáço minhas as palavras de alguêm.

10 maio, 2005

Desviado do centro


foto de YuriDojc

Excêntrico é alguêm que se desvia do centro. Do Latim ex + centro = que não tem o mesmo centro. Depois nós dizemos que é original, esquisito ou extravagante, com caprichos.
Sabes? Pode ser um gajo que bebe o café expresso em copos de vidro, independentemente das razões serem estas ou aquelas... Não importa mesmo se é por a chávena ser grossa e pouco elegante. Copo de vidro é um desvio do centro no mundo de quem bebe bica. Mas não foi isso que te falei, foi o burguês. Esse pode ser um pequeno excêntrico, normalmente é. Não são os gostos que fazem alguêm excêntrico. Eu posso gostar de cavalos e tu podes gostar de lutas de cães, férias de verão ou férias de inverno, televisão ou rádio. Para mim não são os gostos são os desvios do que é comum nos gostos. Não é o ferrari, nem a jóia da coroa. A jóia da coroa então, é como os diamantes, todos tinham se pudessem.
É aquilo que nos vem do pensamento, de reciocinarmos secalhar com o uso de alguma inteligência, admito. Mas quero dizer que consigo ver muita relação com o figurativo caprichoso. Um excêntrico é sem dúvida um caprichoso. E caprichoso tambem vem no dicionário como teimoso, obstinado, fantasista... Olha fantasista, a cena das flores nos lençóis...
Bom, mas deixa lá! Sorri para mim... Diz que é assim.

(A guerreira a sorrir para ti)

07 maio, 2005

El amor brujo




El amor brujo - coreografia Victor Ullate
Este "brujo" é de cigano.
Estive a ver o bailado debaixo de uma manta velha na sala. Quando acabou não me apeteceu nada mais alêm de ficar entre o movimento e o sonho. É um espírito apaixonado que volta da morte para impedir que outro tome o seu lugar junto à mulher amada.

04 maio, 2005

Motivo e honra


foto - ErwinOlaf

Nas espadas e nos punhais fabricados em Toledo, escrevem:
"Não me uses sem motivo; não me guardes sem honra."

É bonito, e eu conheço quem lá nasceu que tem esta ideia adaptada às relações e ao sentimento. Por vezes lembro-me desta frase contigo. Tambem posso pensar agora numa data delas sobre confiânça, mas ao pé desta não as acho tão bonitas... Até uso uma palavra que usáste esta noite, "poderosa". A noção de motivo e de honra no amor parece-me poderosa.

03 maio, 2005

Arte de aprender


foto-Jon McDermott

Estes dias mais vale esquecer. Afinal de contas todos conseguimos mudar e fazemo-lo constantemente quase como as caras com humores que colocamos por aqui.
Ás vezes nestas alturas fico com a impressão que o meu problema não é ter muralhas, é não ter muralhas suficientes. Lá dizer coisas eu digo, o pior é o que sinto, o que existe cá dentro e fáz com que o momento doa. É que o momento quando dói em alguêm que não tem esperãnça... não é uma coisa nada boa. É uma dor das de pôr no arquivo das insuportaveis. Péço-me: Tem mais cuidado por favor. Mas de qualquer maneira tem sempre de ser para a próxima. Que desta vez já doeu, já não se pode "desdoer" e não pode fazer diferênça.

"ARTE DE APRENDER"-Virgínia Pinto

Fomos felizes enquanto embriaguei nossas almas.

Ele me despertava um amor sem tamanho. Homem maduro, seguro
de si, carinhoso, terno, presente, elegante. me trazia a sensação de bem-estar seguida de quero mais. Penetrava fundo em minha alma, arremessando-me às nuvens. Ele era tudo o que tinha sonhado na vida, sem planos, sem lenço e sem
documento.

Eu o queria por perto e ele ali estava , sempre!

Alma. Eu desejava percorrer sua alma e recitava, em pensamento, todas as canções de amor que um dia ouvi, de Roberto a Barbra Streisand. Apaixonada e cega, acreditava que estava, enfim, conseguindo ser feliz. Nas madrugadas, depois do amor, conversávamos infinitamente, e só dormíamos quando nossos olhos cansados se fechavam e no silêncio do encontro desejávamos ao outro, o sono dos justos. Éramos um no amor, na dor, na necessidade, no escuro, na luz e jamais imaginei conhecer as sombras. Era tão ingênua em querer caminhar suavemente por sua alma que dei a ele o poder de me castigar com sua ausência, desprezo e mentiras. Pleno de minha fidelidade e amor sem fim, me deixava aos poucos, disfarçadamente, amiúde, um pouco a cada dia.

Era pecado querer e amar assim? Dizia a mim mesma que nada importava, pois no fim, seria entre mim e Deus, nunca entre mim e o homem. Estava em pleno estado de graça e isso bastava. Bastava?

Ele me torturava, sem perceber, dizendo sempre que éramos livres. Que o melhor da vida era vivermos o hoje, pois o amanhã não nos pertencia. Estas palavras chicoteavam minha alma. Ouvi isto pela última vez, no momento da despedida. Imaginava que tudo o que ele fazia era para dissimular o medo que tinha de me amar. Divagava entre a razão e a emoção. Como aceitar esta teoria se a presença dele era nitroglicerina pura e sua ausência me consumia? Eu o amava com ternura, como nunca havia conseguido, o seguia com prazer e desejo como não havia sentido e o perdia pelos dedos feito areia em vendaval, como jamais tinha perdido.

Disfarcei citando teorias da vida, aquela bandida, que ronda os corações perdidos, quando tudo está rompido e você teima em achar que um dia ele vai entender, vai enxergar, vai se arrepender e vai te procurar...

Eu pude ver a sua alma e clamei a Deus que ele visse a minha!

Supliquei paixão. Só encontrei razão.

Desalmado ele me oferecia companhia, ausência, cumplicidade, carência, amor, ódio, desejo, desprezo, emoção, razão e deixava minha boca seca de dúvida, sem nenhuma coragem de dizer NÃO. Imune, de tanto ele recitar os estragos que a alma faz ao amor, um dia simplesmente desisti. Tolice. Queria nele, apenas enxergar o que estava em mim..."

01 maio, 2005

O cheiro


Foto-JuanCarlosRivas

E porque tinha de ser a guerreira vencida pelo cansaço do combate perdido? Porque não, a guerreira vencedora embora complectamente desgastada?
Alguns desgastes valem tão a pena. O sangue que se perde não é sempre mau. As feridas curam-se e sabe bem repousar, adormecer sem ter hora. Mas hoje querias só o teu gozo e quem goza ganha, já sei.
Já sei que fico a perder sangue até não ter mais nada para perder. Num momento que se prolonga talvez através do cheiro. O sangue tem destas coisas estranhas. Não sei se os pactos valem ou se é o cheiro da mistura que prevalece.