
foto-Jon McDermott
Estes dias mais vale esquecer. Afinal de contas todos conseguimos mudar e fazemo-lo constantemente quase como as caras com humores que colocamos por aqui.
Ás vezes nestas alturas fico com a impressão que o meu problema não é ter muralhas, é não ter muralhas suficientes. Lá dizer coisas eu digo, o pior é o que sinto, o que existe cá dentro e fáz com que o momento doa. É que o momento quando dói em alguêm que não tem esperãnça... não é uma coisa nada boa. É uma dor das de pôr no arquivo das insuportaveis. Péço-me: Tem mais cuidado por favor. Mas de qualquer maneira tem sempre de ser para a próxima. Que desta vez já doeu, já não se pode "desdoer" e não pode fazer diferênça.
"ARTE DE APRENDER"-Virgínia Pinto
Fomos felizes enquanto embriaguei nossas almas.
Ele me despertava um amor sem tamanho. Homem maduro, seguro
de si, carinhoso, terno, presente, elegante. me trazia a sensação de bem-estar seguida de quero mais. Penetrava fundo em minha alma, arremessando-me às nuvens. Ele era tudo o que tinha sonhado na vida, sem planos, sem lenço e sem
documento.
Eu o queria por perto e ele ali estava , sempre!
Alma. Eu desejava percorrer sua alma e recitava, em pensamento, todas as canções de amor que um dia ouvi, de Roberto a Barbra Streisand. Apaixonada e cega, acreditava que estava, enfim, conseguindo ser feliz. Nas madrugadas, depois do amor, conversávamos infinitamente, e só dormíamos quando nossos olhos cansados se fechavam e no silêncio do encontro desejávamos ao outro, o sono dos justos. Éramos um no amor, na dor, na necessidade, no escuro, na luz e jamais imaginei conhecer as sombras. Era tão ingênua em querer caminhar suavemente por sua alma que dei a ele o poder de me castigar com sua ausência, desprezo e mentiras. Pleno de minha fidelidade e amor sem fim, me deixava aos poucos, disfarçadamente, amiúde, um pouco a cada dia.
Era pecado querer e amar assim? Dizia a mim mesma que nada importava, pois no fim, seria entre mim e Deus, nunca entre mim e o homem. Estava em pleno estado de graça e isso bastava. Bastava?
Ele me torturava, sem perceber, dizendo sempre que éramos livres. Que o melhor da vida era vivermos o hoje, pois o amanhã não nos pertencia. Estas palavras chicoteavam minha alma. Ouvi isto pela última vez, no momento da despedida. Imaginava que tudo o que ele fazia era para dissimular o medo que tinha de me amar. Divagava entre a razão e a emoção. Como aceitar esta teoria se a presença dele era nitroglicerina pura e sua ausência me consumia? Eu o amava com ternura, como nunca havia conseguido, o seguia com prazer e desejo como não havia sentido e o perdia pelos dedos feito areia em vendaval, como jamais tinha perdido.
Disfarcei citando teorias da vida, aquela bandida, que ronda os corações perdidos, quando tudo está rompido e você teima em achar que um dia ele vai entender, vai enxergar, vai se arrepender e vai te procurar...
Eu pude ver a sua alma e clamei a Deus que ele visse a minha!
Supliquei paixão. Só encontrei razão.
Desalmado ele me oferecia companhia, ausência, cumplicidade, carência, amor, ódio, desejo, desprezo, emoção, razão e deixava minha boca seca de dúvida, sem nenhuma coragem de dizer NÃO. Imune, de tanto ele recitar os estragos que a alma faz ao amor, um dia simplesmente desisti. Tolice. Queria nele, apenas enxergar o que estava em mim..."