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21 março, 2006

Ir no sono



Ir no sono, não é mau.
Riscar da cabeça uma data de palavras que se opõem às minhas sem que eu entenda porquê.
O que eu digo não é óbvio? Não é exactamente como se pássa?
Talvez o não entender fáça parte de tudo isto, como tudo à nossa volta com a sua própria razão... E há razões para tudo. Repouso a cabeça e olho o que quero ver, mas agora de olhos fechados...
Sei onde me fixo.
E se for pelo teu sono... Não é mau...
(foto - Rita Hayworth)

16 março, 2006

se se expressam



No limite, agarramo-nos tanto ao que queremos que a memória de não querer é já mais estranha do que foi nossa.
Explicar pode fazer toda a diferênça e explicar pode dar razão ao "sentir" que coitado de tão emocional é algo parecido a um bicho selvagem, daqueles que mordem sem dentes ou cortam sem ter garras.
No limite, temos fome de viver e resistimos, tanto, como quem é maltratado e subsiste.
Tanto, que se pode não entender mesmo nada, nem querer saber, que sobrevivemos à falta de comunicar, ao tão pouco que percebemos de nós, juntos, mas continuamos a viver, enquanto os nossos corpos se expressarem.
(Nadja Saidakova, foto de Rittershaus)

10 março, 2006

Imagino que sim




Ás vezes imagino que podería morar num destes palácios dourados. Sózinha, sem viva alma. Apenas eu a percorrer o espaço. Que não iría sentir-me mais só do que quando me rodeiam todas estas caras. Há tantos braços dos quais não quero abraços e que evitaría se deixasse de sorrir. Imagino que não se sorri muito, num palácio sózinha.
E do outro lado existe o rio e acho que tambem não punha ninguêm do outro lado do rio. O Tamisa até ao mar do norte, sem ninguêm pelas margens... Só eu no meu palácio. Há tanto nos rios escuros das cidades escuras, que acho que só de nos olharmos nos olhos, eu e ele, sería como ter um contador de histórias como companhia. E o que eu gostava que as minhas companhias fossem rios, que falassem profundamente ou superficialmente, água. Que dissessem em forma de gotas, o que eu entendo como se estivesse a ler um livro.
Imagino que a solidão é melhor, quando se ouve o passar da língua pelos lábios... E eu ficava bem, naquele dourado todo.
Imagino que sim.

(foto, minha - Londres)